segunda-feira, setembro 17, 2007

Na floresta sem atalhos




Não deve causar estranheza que cálculos rigorosos, de ordem histórica e literária, tendentes a dar a uma personagem imaginária o máximo da plausibilidade a levem a embater como por acaso numa personagem real. Continuo a espantar-me com a quantidade e a intensidade das movimentações obscuras que nos orientam para um nome, um facto, uma personagem e não para outro. Entramos aí na floresta sem atalhos.



Marguerite Yourcenar





pindaro

Vorazes
















Esguias e vorazes consumiam
Os corpos que eram aves menos ágeis.
E as garras assombradas dividiam
As espessuras ínfimas da carne.


Hilda Hist



Pindaro



quinta-feira, setembro 13, 2007

Práticas de gosto



Porque, nas práticas de gosto, primeiro cansam os sentidos que os desejos.

Francisco Roíz Lobo




pindaro

E nunca em mais nenhum





Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um

- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum


Eugénio de Andrade





pindaro

O movimento pendular















No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão a aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. No vinho se espelha a vida.


Roland Betsch




pindaro

À flor da pele




Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário do humano.


clarice lispector




Pindaro

quarta-feira, setembro 12, 2007

O vinho e a mirra













Queima o sangue um fogo de desejo,
de desejo a alma é ferida,
dá-me os teus lábios, o teu beijo
é o meu vinho e minha mirra.
Reclina para mim a cabeça
ternamente, faz que eu durma
sereno até que sopre um dia alegre
e se dissipe a névoa nocturna.

A. Púchkin


píndaro

Sem margens




Aimons donc, aimons donc ! de l'heure fugitive,
Hâtons-nous, jouissons !
L'homme n'a point de port, le temps n'a point de rive ;
Il coule, et nous passons !


Lamartine




pindaro

terça-feira, setembro 11, 2007

En mémoire



L'amour c'est quand le temps se transforme en mémoire et nous fait le présent d'un passé plein d'espoir

Yves Duteil



pindaro

Pelas alfamas da alma




...sintió por él ese anémico desprecio que despiertan las cosas que más deseamos sin saberlo.
Carlos Ruiz Zafón



pindaro

segunda-feira, setembro 10, 2007

As roucas sílabas da posse







Que o fosso da memória se transponha,
que seja a solidão atravessada!
Da cálida crissálida renasça

de novo para o corpo o corpo todo!

Venham as roucas sílabas da posse
no búzio dos ouvidos enroladas!
Sobre a teia das veias impalpáveis,
reconstrua-se a cúpula dos olhos!

Que tudo agora súbito se emprenhe
da realidade que a lembrança apenas
em folha de álbum, ressequida, guarda!

Que eu vá de novo decorar-te a seiva,
como um poema líquido que seja
urgente recitar na eternidade!


David Mourão-Ferreira


pindaro

domingo, setembro 09, 2007

Para siempre




Alguíen dijo una vez que en el momento en que te paras a pensar si quires a alguíen, ya as dejado de quererle para siempre.

Carlos Ruiz Zafón



pindaro

As marcas e os sinais






La volupté unique et suprême de l'amour gît dans la certitude de faire le mal. Et l'homme et la femme savent de naissance que dans le mal se trouve toute volupté.

Charles Baudelaire




pindaro

Pela barra fora








pindaro

Partimos pela barra fora

meu amor achei-o estranho

mais tarde por lá ficou

onde foi que importa agora

tive um barco e nada tenho

e o meu amor não voltou

Manuel de Andrade




pindaro

O golpe na sua pureza















Não se possui ninguém (mesmo os que pecam não o conseguem) e, sendo a arte a única forma de posse verdadeira, o que importa é recriar um ser e não prendê-lo.
Marguerite Yourcenar




pindaro

Os segredos da vindima





Para um apaixonado existem sempre dois tempos: aquele que concede a si próprio e aquele que tem que ganhar.

Bodo Kirchhoff




pindaro

Por dentro do silêncio




La musique commence là où s'arrête le pouvoir des mots.

Richard Wagner




pindaro

Nusquama (nenhures)



"Navegavam sem o mapa que faziam"

sophia de melo breyner










O deslumbramento e a nostalgia da errância vão discorrendo por entre as emboscadas das horas.

É voltar a soltar amarras, é voltar a peregrinar o sul dos encantos, que só o incessante rumor da distância nos redime.




Leonardo

About a secret





A photograph is a secret about a secret.
The more it tells you
The less
you know.


Diane Arbus




pindaro

quarta-feira, setembro 05, 2007

Trevas e sombreados

“Os piratas, esses sim, tinham aplomb e conheciam as sombras”
anónimo






É o que se tira da carta à rainha, da pluma de Sir Walter Raleigh:

“Dêem-me a minha concha de silêncio,
O meu bordão de fé, para me amparar,
A minha escritura de júbilo, imortal dieta,
A minha garrafa de salvação,
A minha toga de glória, verdadeiro penhor de esperança,
E então farei a peregrinação.”

O navegante, dominador que era de obscuridades subtis, tinha por certo lido os ensinamentos do grande Giordano Bruno em “The shadows of ideas”:

“A sombra tempera a luz...As sombras não se dissolvem,
Mas mantêm e protegem a luz que há em nós
E conduzem-nos ao conhecimento e à recordação.”

Mais tarde, Sir Thomas Browne, gourmet de trevas e sombreados, dado a sínteses, dobrou esta esquina bicuda com um simples adágio no imperecível “Urne-Burial & Garden of Cyrus”:

“A noite do tempo supera em muito o dia.”

(Percebe-se a tirada de Virgínia Woolf: “But why fly in the face of facts? Few people love the writings of Sir Thomas Browne, but those who do are of the salt of the Earth.”)

Foi depois que Voltaire, dando moldura às estátuas e aos vultos, arrematou todo o tema das sombras com um belíssimo sinal da cruz:

“É o escândalo público que faz a ofensa, pecar em segredo não é sequer pecar.”




Solino

Na cava da palavra
















As coisas não se submetem
à nossa vestidura;
na máscara que somos
as coisas nos conjuram.

Por que não escutá-las,
tão sáfaras e puras,
como flores ou larvas,
estranhas criaturas?

Por que desprezá-las
no sopro que as transmuda
com os olhos de favas,
fechados na espessura?

Por que não escutá-las
na linguagem mais dura,
comprimidas as asas
na testa que as vincula?

Despimos a armadura
e a viseira diurna;
a linguagem resvala
onde as coisas se apuram.

Recônditas e escravas
na cava da palavra,
são fiandeiras escuras
ou áspides sequiosas.

As coisas não se submetem
à nossa vestidura
.


Carlos Nejar






pindaro

terça-feira, setembro 04, 2007

O entendimento perfeito






Ce qu'il y a de beau dans un mystère, c'est le secret qu'il contient et non la vérité qu'il cache.

Eric-Emmanuel Schmitt





pindaro

Galantería simpar




A todas las mujeres hay que pedírsela, porque la que no te lo da, te lo agradece.


Porfirio Rubirosa





pindaro

Actos de governo próprio























Je l'aime trop pour en être jaloux. J'ai pris le parti d'en être fier.
Pierre Choderlos de Laclos




pindaro

segunda-feira, setembro 03, 2007

Comprimentos e pontas




Les sensations aident le sentiment.

Pierre Choderlos de Laclos




pindaro

Histórias de correr fado




“Como o que ao deixar a ilha inaudita
se exalta com o sonho que se propôs
na pérola ardente que o imita.”

Carles Riba
(Salvatge cor)







Encontrava-se na situação daquele pescador de não sei que lenda árabe que, ao tentar afogar-se no meio do oceano, chega a um país submarino onde o fazem rei.

Tudo começa pela parte da ligação entre a noite e a sensualidade, e continua por aí fora nas histórias de correr fado até chegar à água, a da nossa memória, e à outra, a do mar.

A irmandade com o oceano é o sal que no-la dá.

A sua percentagem nele e em nós é a mesma, e que incessantemente assim tenha sido e que assim continuamente venha a ser é o salvo-conduto, o farol das fugidas dos ameaços de quem se governa como pode nas durezas dos amores.




Doutor Lívio

Ceaselessly



















So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past.

F. Scott Fitzgerald



pindaro

Santo e senha














Il y a un signe infaillible auquel on reconnaît que l'on aime quelqu'un d'amour. C'est lorsque son visage nous inspire plus de désir physique qu'aucune autre partie de son corps.


Christian Bobin



Pindaro

Sendas e carreiros





It was written

I should be loyal

to the nightmare

of my choice.



Joseph Conrad




pindaro

domingo, setembro 02, 2007

Encantamento



La seule chose dont on pouvait être certain en mer, c'est que rien n'y était jamais certain.
Arturo Perez-Reverte


pindaro

Ou fora do mundo












Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Manuel Bandeira


pindaro

De uma alma para a outa



Cantigas de portugueses
São como barcos no mar
-Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.
Fernando Pessoa


pindaro

A la noche









Noche, fabricadora de embelecos,
loca, imaginativa, quimerista,
que muestras al que en ti su bien conquista
los montes llanos y los mares secos;

habitadora de cerebros huecos,
mecánica, filósofa, alquimista,
encubridora vil, lince sin vista,
espantadiza de tus mismos ecos:

la sombra, el miedo, el mal se te atribuya,
solícita, poeta, enferma, fría,
manos del bravo y pies del fugitivo.

Que vele o duerma, media vida es tuya:
si velo, te lo pago con el día,
y si duermo, no siento lo que vivo.



Lope de Vega





pindaro

sábado, setembro 01, 2007

Luas e feitiços



Na arte, como no amor, o instinto é suficiente e a ciência oferece, apenas, uma inoportuna claridade.
anatole france


pindaro

Un esprit de finesse



Un esprit fin et un esprit de finesse sont très différents. Le premier plaît toujours; il est délié, il pense des choses délicates et voit les plus imperceptibles. Un esprit de finesse ne va jamais droit, il cherche des biais et des détours pour faire réussir ses desseins; cette conduite est bientôt découverte, elle se fait toujours craindre et ne mène presque jamais aux grandes choses.
La Rochefaoucault



pindaro

sexta-feira, agosto 31, 2007

De acabamentos em aberto




Le rêve est une construction de l'intelligence à laquelle le constructeur assiste sans savoir comment cela va finir.


Cesare Pavese



pindaro

quinta-feira, agosto 30, 2007

Soltar amarras




Écrire, c'est se cacher derrière les mots tout en se mettant à nu.

Claudine Paquet





pindaro

Declaração de amor













Esta é uma declaração de amor;
amo a língua portuguesa.
Ela não é fácil. Não é maleável.
E, como não foi profundamente trabalhada pelo
pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza
e de reagir às vezes com um pontapé contra
os que temerariamente ousam transformá-la
numa linguagem
de sentimento de alerteza.
E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro
desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e
das pessoas a primeira capa do superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado.
Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase.
Eu gosto de manejá-la - como gostava de estar
montando num cavalo e guiá-lo pelas rédeas,
às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse
ao máximo nas minhas mãos. e este desejo
todos os que escrevem têm.
Um Camões e outros iguais não bastaram para
nos dar uma herança de língua já feita. Todos nós
que escrevemos estamos fazendo do túmulo do
pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do
encantamento de lidar com uma língua que não foi
aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever
e me perguntassem a que língua eu queria pertencer,
eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como nasci
muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro
para mim que eu queria mesmo era escrever em português.
Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só
para que minha abordagem do português
fosse virgem e límpida

Clarice Lispector



pindaro

quarta-feira, agosto 29, 2007

Entre nuvens à beira-mar

























La solitude est un art.

Vilhelm Ekelund


pindaro

El pecado nació para escondido





Sólo en tí, Lesbia, vemos que ha perdido
el adulterio la vergüenza al cielo;
pues que tan claramente y tan sin velo
has los hidalgos huesos ofendido.

Por Dios, por ti, por mí, por tu marido,
que no sepa tu infamia todo el suelo;
cierra la puerta, vive con recelo;
que el pecado nació para escondido.

No digo yo que dejes tus amigos;
mas digo que no es bien que sean notados
de los pocos que son tus enemigos.

Mira que tus vecinos, afrentados,
dicen que te deleitan los testigos
de tus pecados más que tus pecados.


D. Francisco de Quevedo



pindaro

terça-feira, agosto 28, 2007

La mer








La mer fascinera toujours ceux chez qui le dégoût de la vie et l'attrait du mystère ont devancé les premiers chagrins, comme un pressentiment de l'insuffisance de la réalité à les satisfaire. Ceux-là qui ont besoin de repos avant d'avoir éprouvé encore aucune fatigue, la mer les consolera, les exaltera vaguement. Elle ne porte pas comme la terre les traces des travaux des hommes et de la vie humaine. Rien n'y demeure, rien n'y passe qu'en fuyant, et des barques qui la traversent, combien le sillage est vite évanoui ! De là cette grande pureté de la mer que n'ont pas les choses terrestres. Et cette eau vierge est bien plus délicate que la terre endurcie qu'il faut une pioche pour entamer. Le pas d'un enfant sur l'eau y creuse un sillon profond avec un bruit clair, et les nuances unies de l'eau en sont un moment brisées; puis tout vestige s'efface, et la mer est redevenue calme comme aux premiers jours du monde. Celui qui est las des chemins de la terre ou qui devine, avant de les avoir tentés, combien ils sont âpres et vulgaires, sera séduit par les pâles routes de la mer, plus dangereuses et plus douces, incertaines et désertes. Tout y est plus mystérieux, jusqu'à ces grandes ombres qui flottent parfois paisiblement sur les champs nus de la mer, sans maisons et sans ombrages, et qu'y étendent les nuages, ces hameaux célestes, ces vagues ramures.

Marcel Proust



pindaro

E o navio em cima do mar











Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.



Cecília Meireles





pindaro

segunda-feira, agosto 27, 2007

A sua água


O que ele amava nela era a sua água - como a de uma pedra preciosa. É afinal de contas o que é realmente amado numa mulher - não a baínha de carne que a reveste - mas a sua assinatura.
Lawrence Durrel
Lívia ou o enterrado vivo



Pindaro

domingo, agosto 26, 2007

Uma conversação de poucas perfias



"Entre outros homens que naquela companhia se achavam eram nela mais costumados, em anoitecendo, um Letrado que ali tinha um casal e que já tivera honrados cargos de governo da justiça na Cidade, homem prudente, concertado na vida, Doutor na sua profissão e lido nas histórias da humanidade; um Fidalgo mancebo, inclinado ao exercício da caça e muito afeiçoado às coisas da pátria, em cujas histórias estava bem visto; um Estudante de bom engenho, que, entre os seus estudos, se empregava algumas vezes nos da poesia; um velho não muito rico, que tinha servido a um dos Grandes da Corte, com cujo galardão se reparara naquele lugar, homem de boa criação, e, além de bem entendido, notavelmente engraçado no que dizia, e muito natural de uma murmuração que ficasse entre o couro e a carne, sem dar ferida penetrante.

Ao senhor da casa chamavam Leonardo, ao Doutor, Lívio, ao Fidalgo, D. Júlio, ao estudante, Píndaro, ao velho, Solino.

Fora estes havia outros de quem em seus lugares se fará menção, que, assim como os mais, não eram para enjeitar em uma conversação de poucas perfias."


Francisco Roíz Lobo
(Corte na Aldeia)




pindaro

sexta-feira, agosto 24, 2007

As jóias sonoras



A muito amada estava nua, e conhecendo-me o coração,
conservava apenas as suas jóias sonoras...


( Inscrição num vaso grego de tema obsceno,
citado por Marguerite Yourcenar)




pindaro

quarta-feira, agosto 22, 2007

Coisas efémeras que duram uma vida




Quels doux supplices
Quelles délices,
De brusler dans les flammes
De la beauté des Dammes.


Antoine Boesset






pindaro

quinta-feira, agosto 16, 2007

O ordenamento das relações








“Ser pedra é fácil, difícil é ser vidro”

proverbio chinês





pindaro

terça-feira, agosto 14, 2007

A proximidade e a lonjura



O vestígio é a manifestação de uma proximidade, por mais longe que possa estar o ser que o deixou.
A aura é a manifestação de uma lonjura, por mais próximo que possa estar aquilo que a evoca.
Com o vestígio apoderamo-nos da coisa, com a aura é ela que é senhora de nós.


walter benjamin





pindaro

Viagem



Lançamos o barco.
Sonhamos a viagem;
quem viaja é sempre o mar.


Mia Couto




pindaro

quarta-feira, agosto 08, 2007

Marinheiro









Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,

e a noite se faz barco,

e a minha mão marinheiro.



Eugénio de Andrade





pindaro