domingo, outubro 28, 2007

At least



... let us at least remember that an amateur is really a lover, and a dilettante, one who delights.

Ernest Gombrich


pindaro

sábado, outubro 27, 2007

Passa-te por mim



Não me despertes se durmo e, se estou acordada, não me adormeças.


Calderón de la Barca



pindaro

sexta-feira, outubro 26, 2007

En el silencio del aroma



Esperar junto a este mar (en el que nacieron las ideas)
sin ninguna idea. (Y así tenerlas todas).
Ser sólo la brisa en la copa del pino grande,
el aroma del azahar, la noche de orquídeas
en las calas olvidadas.

Sólo permanecer viendo el ave que pasa
y no regresa; quedar
esperando a que el cielo amarillo
arda y se limpie de relámpagos
que llegarán saltando de una isla a otra isla.
O contemplar la nube blanca
que, no siendo nada, parece ser feliz.
Quedar flotando y transcurriendo de aquí para allá,
sobre las olas que pasan,
como un remo perdido.
O seguir, como los delfines,
la dirección de un tiempo sentenciado.

Ser como la hora de las barcas en las noches de enero,
que se adormecen entre narcisos y faros.
Dejadme, no con la luz del conocimiento
(que nació y se alzó de este mar),
sino simplemente con la luz de este mar.
O con sus muchas luces:
las de oro encendido y las de frío verdor.
o con la luz de todos los azules.

Pero, sobre todo, dejadme con la luz blanca,
que es la que abrasa y derrota a los hombres heridos,
a los días tensos, a las ideas como cuchillos.
Ser como olivo o estanque.
Que alguien me tenga en su mano como a un puñado de sal.
O de luz.

Cerrar los ojos en el silencio del aroma
para que el corazón —al fin— pueda ver.
Cerrar los ojos para que el amor crezca en mí.
Dejadme compartiendo el silencio
y la soledad de los porches,
la hospitalidad de las puertas abiertas; dejadme
con el plenilunio de los ruiseñores de junio,
que guardan el temblor del agua en las últimas fuentes.
Dejadme con la libertad que se pierde
en los labios de una mujer



Antonio Colinas




Pindaro

É esse o papel





Orfeu: Mas, enfim, Senhora ... explicar-me-á?
A princesa: Nada. Se dorme, se sonha,
aceite os seus sonhos. É esse o papel do sonhador
.



(guião de
Jean Cocteau
para o filme Orphée)




pindaro

La roja mordedura del amor



Será mejor entonces, mujer, dejar de vernos,
apartar los labios teñidos de vino
y maquillar la roja mordedura del amor
ante viejos espejos carcomidos?
Nunca tendremos una casa, es cierto,
pero la intemperie de un gemido ha sido nuestro hogar.
No habrán aniversarios ni flores
pero tú rodarás interminablemente
entre las flores de mi sueño hasta mi tumba.
lo que la carne une nada lo separa:
ni Dios ni el tiempo ni el tempo ni el olvido.
el deseo planta un árbol del que una gran cauda de
Pájaros desciende
Para beber en la fuente lasciva de la sangre.


Rafael Vargas



pindaro

Tan largo




Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Pablo Neruda



pindaro

A arte de mover os ânimos




Um artista não deve contar a sua vida tal como a viveu, mas vivê-la tal como a vai contar.

André Gide




Pindaro

Como um amor na boca



... na distância viva do não-lugar onde se conjugam todas as esperanças, onde se exprime a paixão de um centro, de uma silenciosa intensidade e de um obscuro sabor. Como um amor na boca onde o corpo vai mais depressa que o pensamento.

Pascal Fleury



pindaro

Do lado direito do écran

















Escreve para ti, que neste momento entras na sala e ficas por momentos encostada à ombreira da porta, do outro lado da luz, olhando-o. E tu que portanto não és estas letras, como que por dentro delas nasces como se nas conchas da espuma nascesses das águas, como se, ligeiramente inclinada, a custo, começasses a surgir do lado direito do écran, ou estivesses antes ao centro, em grande plano, com olhar velado ou mesmo cega; de qualquer modo como se olhasses para onde não podes olhar. Não podes?

Manuel Gusmão




pindaro

A maré que leva e traz




O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo das avenidas
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
«Mudança possui tudo»? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios de vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
Gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida


Ruy Belo


Pindaro

Frias e perfeitas





E se alguma coisa me agrada em ti é o silêncio que guardam os teus silêncios, tão semelhantes aos das tuas fotografias frias e perfeitas.


Arturo Perez-Reverte



pindaro

O amor quer-se batido



...o casal teve uma felicidade sem nuvens. O que é sempre mau presságio, porque como diz o povo, "o amor quer-se batido", e muita calma acumula perversões e desastres.

Agustina Bessa Luís



pindaro

Para além das nuvens





Onde estás?
Nas nuvens ou na insensatez?
Me beije só mais uma vez,
depois volte para lá.


Paulinho Pedra Azul




pindaro

C´est savourer




Aimer, c'est savourer, au bras d'un être cher,
La quantité de ciel que Dieu mit dans la chair...


Victor Hugo



pindaro

Marinhagens







Je suis un homme qui pense à autre chose
Victor Hugo



pindaro

quinta-feira, outubro 25, 2007

Les mots d´amour



Amoureuse au secret derrière ton sourire
Toute nue les mots d'amour
Découvrent tes seins et ton cou
Et tes hanches et tes paupières
Découvrent toutes les caresses
Pour que les baisers dans tes yeux
Ne montrent que toi toute entière.


Paul Eluard



pindaro

Sorrisos de esquecer



No teu olhar eu leio
Um lúbrico vagar.
Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar.

Tudo é nada, e tudo
Um sonho finge ser.
O espaço negro é mudo.
Dorme, e, ao adormecer,
Saibas do coração sorrir
Sorrisos de esquecer.
Dorme sobre o meu seio,
Sem mágoa nem amor...

No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.

Fernando Pessoa




pindaro

E por vezes





E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos



David Mourão Ferreira






pindaro

A selvagem exalação





Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.


Sophia de Mello Breyner





pindaro

Lettera amorosa




Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade


pindaro

Janela dita da alma
















Uma vez irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma desta vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos, com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria...


clarice lispector



pindaro

Há uma feição atiçante




Avec la maigreur qui plaît à l`indécence...
Francis Ponge



Pindaro

quarta-feira, outubro 24, 2007

Navegação segura




Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.




Eugénio de Andrade





pindaro

Do amor e seus andamentos



A percepção tem a forma de um abraço - o veneno entra com o beijo.

Lawrence Durrel

Clea


pindaro

Cacho de sílabas















... ele dizia-me que do mesmo modo que uma constelação de estrelas chega a formar uma figura de escorpião ou de aquário, também um cacho de sílabas procura formar uma palavra e a palavra procura afanosa palavras afins (amigas ou inimigas) até formar uma imagem. a imagem atravessa o mundo inteiro para dar um abraço reconciliado à sua imagem irmã, há muito perdida ou hostil. Assim nasce a metáfora...

Carlos Fuentes



pindaro

Fio de pesca




No azul nocturno da paisagem, a estranheza da água despida do seu vulto.
Cartas de amor, letra a letra, para o espirito do lugar, para o desassossego da saudade.
Apanhar amores perdidos, como se apanham os peixes.
Preciso é fio. De pesca.




D. Júlio

terça-feira, outubro 23, 2007

A conjura






Pour qu'un amour soit inoubliable, il faut que les hasards s'y rejoignent dès le premier instant.

Milan Kundera




Pindaro

However



A man said to the Universe: "Sir, I exist."
"However", replied the Universe, "the fact has not created in me a sense of obligation."

Stephen Crane



pindaro

The winner takes it all




Ninguém se serve da ambiguidade sem ser à sua própria custa.

Jean François Paul de Gondy
, Cardinal de Retz



pindaro

Um elo secreto




Há um elo secreto entre a lentidão e a memória, entre a velocidade e o esquecimento.

Milan Kundera



pindaro

O brilho picante da obscuridade



Every sin is the result of collaboration

Stephen Crane



pindaro

Bicho instruído





Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.


Carlos Drummond de Andrade




pindaro

Muros castos




Muros castos e tristes
Cativos de si mesmos

Como criaturas que envelhecem
Sem conhecer a boca
De homens e mulheres.

Muros Escuros, tímidos:
Escorpiões de seda
No acanhado da pedra.

Há alturas soberbas
Danosas, se tocadas.
Como a tua própria boca, amor,
Quando me toca...


Hilda Hist



pindaro

E temos à vista o pecado mortal












Habituo-me a só pensar bem dos meus amigos, a confiar-lhe os meus segredos e o meu dinheiro; não tarda que me traiam. Se me revolto contra uma perfídia sou eu, sempre, a sofrer o castigo. Esforço-me por amar os homens em geral; faço-me cego aos seus erros e deixo, indulgente ao máximo, passar infâmias e calúnias: uma bela manhã acordo cúmplice. Se me afasto de uma sociedade que considero má, bem depressa sou atacado pelos demónios da solidão; e procurando amigos melhores, acho os piores.
Mesmo depois de vencer as paixões más e chegar, pela abstinência, a uma certa tranquilidade de espírito, sinto uma auto-satisfação que me eleva acima do próximo; e temos à vista o pecado mortal, a vaidade imediatamente castigada.
Como explicar que toda a aprendizagem de virtude dê origem a um novo vício?


August Strindberg





Pindaro

Esse peixe da infância











O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do as falto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro


Ruy Belo




pindaro

Santo e senha




What need I be so forward with him that calls not on me?
(Que precisão tenho eu de ir ao encontro de quem ainda não se lembrou de vir ter comigo?)

Shakespeare,

Henrique IV

(trd. de J. Benard da Costa)


pindaro

segunda-feira, outubro 22, 2007

Beyond the farthest line







« (...) e quando entrávamos no bar um homem, sempre o mesmo, voltava-se no banco alto e, trazendo o seu copo, vinha sentar-se connosco numa mesa.

E era difícil dizer de que tempo ele vinha; pois das personagens das histórias dum tempo antigo ele tinha a voz, o olhar e os gestos, mas não o destino nem a vida vivida.

Era mesmo como se ele tivesse rejeitado todo o destino, toda a vida vivida, como uma coisa alheia, exterior e falsa, e lhe bastasse aquele momento, aquele bar, aquela conversa, aquele copo.

Era como se ele tivesse querido guardar o seu ser à margem do vivido, por não haver na vida acto nenhum onde o ser pudesse ser cumprido e a existência concreta fosse apenas deturpação, falsificação, profanação.

E assim ele tinha resolvido usar a sua própria vida como não sendo dele, usá-la como os músicos da orquestra usavam os seus fatos alugados...

E o homem que se tinha vindo sentar junto de nós falava misturando as suas palavras com o tempo, com a noite, com o barulho do mar, com o respirar da brisa nas folhagens.

E das suas palavras nascia uma grande imagem que se ia abrindo e desdobrando em inumeráveis espaços.

A sua sensibilidade era tão perfeita que até na própria madeira da mesa a sua mão pousava com ternura.

Enquanto falava abria espantosamente os seus olhos, que eram azuis como o azul duma chama de álcool.

E o seu olhar era desmedido e impessoal como se para além de nós ele olhasse outra coisa.

Talvez:
A memória longínqua duma pátria
Eterna mas perdida e não sabemos
Se é passado ou futuro onde a perdemos

E à medida que ia falando, a imagem que nascia das suas palavras ia-se tornando interior à alma daqueles que o escutavam, como um mito.

Ele era como um limite como um marco que dissesse: Daqui em diante o mar não é mais navegável.

No entanto ele não se confundia com um deus.

Nos deuses ser e existir estão unidos.

Nele a vida vivida nem sequer era serva do ser, nem sequer era o chão que o ser pisava, mas apenas acaso sem nexo, desencontro, acidente sem forma e sem verdade, acidente desprezado.

… esteve um longo tempo calado.

Depois debruçou-se sobre a mesa e disse:

There is a sea,
A far and distant sea
Beyond the farthest line,
Where all my ships that went astray
Where all my dreams of yesterday
Are mine.

(...) »


Sophia de Mello Breyner
("Contos Exemplares"- personagem inspirado em D. José Zarco da Câmara, Conde da Ribeira Grande)


pindaro

Movimento




La pensée d'un homme est avant tout sa nostalgie.
Albert Camus

pindaro

Toujours always
















Ha venido tu lengua; está en mi boca
como una fruta en la melancolía...


António Gamoneda




pindaro

The fume of sighs






Love is a smoke made with the fume of sighs.

William Shakespeare




pindaro

Oiço os passos do Outono







Vem aí a Primavera
diz-me sempre a tua boca
depois do mais que me dera
o que vem é coisa pouca

Olha o Verão que já não tarda
diz-me à tarde o teu peito
por mais frutos que ele traga
não há nenhum tão perfeito

Oiço os passos do Outono
dizem-me à noite os teus braços
o que mais ambiciono
é ouvir só os teus passos

O Inverno há-de chegar
diz-me à noite a tua mão
quanto mais a mão esfriar
mais calor no coração

E dia a dia por nós
passam as quatro estações
têm sempre a tua voz
eu respondo-lhes depois

David Mourão-Ferreira



pindaro

No breve espaço






O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade




pindaro

Omnia legentes, quae bona sunt tenentes




A humildade é o princípio do aprendizado, e sobre ela, muita coisa tendo sido escrita, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante.

A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura.

A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém.

A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze aos demais.

Muitos se enganaram por quererem parecer sábios antes do tempo, pois com isto envergonharam-se de aprender dos demais o que ignoravam.

Tu, porém meu filho, aprende de todos de boa vontade aquilo que desconheces.

Serás mais sábio do que todos, se quiseres aprender de todos.

Nenhuma ciência, portanto, tenhas como vil, porque toda ciência é boa. Nenhuma Escritura, ou pelo menos, nenhuma Lei desprezes, se estiver à disposição.

Se nada lucrares, também nada terás perdido.

Diz, de facto, o Apóstolo: “Omnia legentes, quae bona sunt tenentes”

O bom estudante deve ser humilde e manso, inteiramente alheio aos cuidados do mundo e às tentações dos prazeres, e solícito em aprender de boa vontade de todos.

Nunca presuma de sua ciência; não queira parecer douto, mas sê-lo; busque os ditos dos sábios, e procure ardentemente ter sempre os seus vultos diante dos olhos da mente, como um espelho.


Hugo de São Vítor




pindaro

E esquecer não pesa





...de sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos.
Bernardo Soares




pindaro

Em lascivos turbilhões de pecados








Venha, renda-se a mim,
Ouça e atenda ao meu chamado,
Sinta o meu cheiro,
Pleno de luxuria e desejo
E entregue-se à fúria da paixão.
Não adianta lutar, você não pode negar
O desejo ardente em eu ser.
Não há como se esconder ou fugir,
Você quer me amar, adorar e possuir,
Mesmo sabendo que irá se destruir,
Mas não pode e não quer evitar
Este desejo incontrolável, indomável, de vir
E se entregar, para em meu fogo se consumir.
Por mais medo que você tenha
Nada impedirá que eu venha e lhe possua,
Inclusive você até com isso sonha,
Embora não seja capaz de admitir
Desejar me tocar, me possuir.
Mas eu virei suas fantasias obscuras realizar,
No meio de uma noite escura,
Surpreendendo você em seu leito,
Usando e abusando de seu corpo
Ao meu bel-prazer,
Os seus sonhos de pureza e candura
Transformados em lascivos turbilhões de pecado e luxuria.
E, em troca do seu êxtase, toda a sua energia beberei
Para o meu deleite profano.
Após saciar minha sede, lhe abandono,
Deixando-o a sós com sua dor e pesar,
Delirando e conjeturando se tudo foi mera loucura,
Ou se realmente eu o visitei,
Vampirizando e abusando do seu corpo mortal.
Mas, confesse o quanto você gostou, se deleitou
E se excitou ao desfrutar do prazer carnal
Com uma demônia tão temível e irresistível como eu.

Thaís Andrade




pindaro

domingo, outubro 21, 2007

A actividade da alma



Dizem os dois «amo-te» ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.

Bernardo Soares




pindaro

The unseen



It is the unseen, unforgettable, ultimate accessory of fashion, that heralds your arrival and prolongs your departure.

Coco Chanel



pindaro

Os atavios do fado




La passion est cette forme de l'amour qui refuse l'immédiat, fuit le prochain, veut la distance et l'invente au besoin, pour mieux se ressentir et s'exalter
.
Denis de Rougemont

pindaro

pindaro

It is the opposite




Some people think luxury is the opposite of poverty. It is not. It is the opposite of vulgarity.

Coco Chanel




pindaro

O azul e o resto






Deus é existirmos e isto não ser tudo

Bernardo Soares



pindaro