quinta-feira, maio 24, 2007

Y navego en cada resonancia







He aquí que el silencio fue integrado
por el total de la palabra humana,
y no hablar es morir entre los seres:
se hace lenguaje hasta la cabellera,
habla la boca sin mover los labios,
los ojos de repente son palabras...
...Yo tomo la palabra y la recorro
como si fuera sólo forma humana,
me embelesan sus líneas
y navego en cada resonancia del idioma...


Pablo Neruda


pindaro

Only an attitude remains




Only an attitude remains:
Time has transfigured them into
Untruth. The stone fidelity
They hardly meant has come to be
Their final blazon, and to prove
Our almost-instinct almost true:
What will survive of us is love
.


Philip Larkin





Pindaro

quarta-feira, maio 23, 2007

Lontano nel tempo





Lontano lontano nel tempo
qualche cosa
negli occhi di un altro
ti farà ripensare ai miei occhi
i miei occhi che t'amavano tanto
E lontano lontano nel mondo
in un sorriso
sulle labbra di un altro
troverai quella mia timidezza
per cui tu
mi prendevi un po' in giro
E lontano lontano nel tempo
l'espressione
di un volto per caso
ti farà ricordare il mio volto
l'aria triste che tu amavi tanto
E lontano lontano nel mondo
una sera sarai con un altro
e ad un tratto
chissà come e perché
ti troverai a parlargli di me
di un amore ormai troppo lontano.


Luigi Tenco



pindaro

Que o cavalo arrebatou





Não cantarei a virgem que o cavalo
Com um xairel de sangue arrebatou,
Quebrada pelo bruto, - nem levá-lo
Ao potro vingador de um verso vou.

Não cantarei tal noite aziaga. Falo
Apenas do que tenho, do que sou
Com ela, como o vinho no gargalo
Do frasco em que me bebe e me esgotou.

Nem cantarei a vítima do resto,
Violada na inocência que perdeu
Nas emboscadas de um punício lodo:

Que só meu próprio amor acendo. E atesto
A chama da Victória que me deu
Na margarida branca o mundo todo.

Vitorino Nemésio



pindaro

terça-feira, maio 22, 2007

Cette hésitation


Le poème – cette hésitation prolongée entre le son et le sens.


Paul Valéry





pindaro

Bicho instruído




Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.



Carlos Drummond de Andrade




pindaro

O sumo e o traço





Na vida, os factos são o limão na ostra.

Clarice Lispector



pindaro

Musica de Shubert




Sombras de amores
em bailado longínquo , num palco sem fundo
como um fundo de espelho
...


Guimarães Rosa




pindaro

Até encontrar o teu gosto














Se eu pudesse beber-te, ó noite,
Até encontrar o teu gosto,
Ou mordendo a ponta do açoite
Da tua treva no meu rosto,

Achasse a planície de lume
De que és uma aresta de estrelas
E sonhando sem peso e volume
Fosse um sonho de chão a tece-las

E na praia de um trilo sem flauta,
Instrumento das harpas do fundo
Duma água escorrida da pauta
Da manhã mais antiga do mundo,

Me estendesses, ó noite florida
Das sementes que trazes no punho,
Uma adolescência impelida
Pelo arco das brisas de junho!


Natália Correia




pindaro

A sensação de um roubo






De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem que me oprima a sensação de um roubo:
cu é lindo!

Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.



Adélia Prado






pindaro

Tenta-me de novo





















E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.


Hilda Hist


pindaro

segunda-feira, maio 21, 2007

Viajar veredas





Me faz bem
Esse jeito de se enroscar,
De chegar mansinho e se aninhar,
De me fazer seu par

Me faz bem
Esse jeito bom de gostar,
Viajar veredas que são mistério maior
Que o fundo do mar

Bem...

Me faz bem,
Arrepio de imaginar,
Me perder no lume do teu olhar,
Respirar, tocar
O teu corpo solto no cio

Me faz bem
Ser o velho lobo do mar
Que não cansa de navegar
Pois muito tesouro existe por lá
Me faz bem teu jeito de amar
Tens mais mistérios do que o mar



Carlos Coutinho


pindaro

domingo, maio 20, 2007

A ausência dela




O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.



Alberto Caeiro
pindaro

sábado, maio 19, 2007

A regra do jogo








Tromper, jouer, trahir : les secrets d'amour.
Camille Laurens



pindaro

Obscuridades aparentes






Mon âme a son secret, ma vie a son mystère.


Alexis-Félix Arvers



Pindaro

Innuendo



C'est le propre des oeuvres vraiment artistiques, d'être une source inépuisable de suggestions.

Charles Baudelaire



Pindaro

sexta-feira, maio 18, 2007

La narración




El poema es la narración del viage


Federico Garcia Lorca




pindaro

O melhor e o pior das pessoas

















O amor é algo muito interior, algo que não se pode explicar. Os românticos diziam que era um puro movimento das emoções e tampouco se pode explicar como uma sublimação do instinto sexual. No amor, há algo mais, é algo estranho, algo que implica tudo o que é a condição humana: o instinto, o sexo, a paixão, também o espírito e certos fantasmas do inconsciente que rapidamente se instalam num tipo de relação que faz aparecer o melhor e o pior das pessoas.

Mário Vargas Llosa


pindaro

Paroles



Le silence est fait de paroles que l'on n'a pas dites.
Marguerite Yourcenar



Pindaro

Kwaheri means farewell



A map in the hands of a pilot is a testimony of a man's faith in other men; it is a symbol of confidence and trust.

It is not like a printed page that bears mere words, ambiguous and artful, and whose most believing reader--even whose author perhaps--must allow in his mind a recess for doubt.

A map says to you, 'Read me carefully, follow me closely, doubt me not".

It says, 'I am the earth in the palm of your hand. Without me, you are alone and lost.'

And indeed you are.

Were all the maps in this world destroyed and vanished under the direction of some malevolent hand, each man would be blind again, each city be made a stranger to the next, each landmark become a meaningless signpost pointing to nothing.

Yet, looking at it, feeling it, running a finger along its lines, it is a cold thing, a map, humourless and dull, born of calipers and a draughtsman's board.

That coastline here, that ragged scrawl of scarlet ink shows neither sand nor sea nor rock; it speaks or no mariner, blundering full sail in wakeless seas, to bequeath, on sheepskin or a slab of wood, a priceless scribble to posterity.

This brown blot that marks a mountain has, for the casual eye, no other significance, though twenty men, or ten, or only one, may have squandered life to climb it.

Here is a valley, there a swamp, and there a desert; and here is a river that some curious and courageous soul, like a pencil in the hand of God, first traced with bleeding feet.

Here is your map. Unfold it, follow it, then throw it away, if you will. It is only paper. It is only paper and ink, but if you think a little, if you pause a moment, you will see that these two things have seldom joined to make a document so modest and yet so full with histories of hope or sagas of conquest.

No map I have flown by has ever been lost or thrown away; I have a trunk containing continents....”

Beryl Markham


pindaro